terça-feira, 24 de janeiro de 2012

 Sessão de Filmes

 Sábado a noite. De frente a TV, esperava ansiosamente pelo filme Imaginaerum, da minha banda favorita Nightwish. Era uma sessão de filmes no canal 54 que começou ao 12:00 e acabaria às 00:00, e o prometido é que o filme Imaginaerum passasse no final de todos os outros. Não havia qualquer tentação que me tiraria daquele sofá a frente da TV na meia-noite daquele dia. Um sofá velho a frente de uma TV velha.
 No ambiente da minha casa, a paz e o sossego reinava diante de mim, mas só diante de mim, pois com certeza meus irmãos deviam estar brigando aos tapas pelo uso do computador nos fundos da casa. Eram quase 20:00 horas e eles sempre guerreavam pela NET nestas horas. A internet é obrigatória e importante, ainda mais quando você tem marcações feitas na rede facebook, ou quando seu time favorito de futebol ganha uma taça das não sei lá o quê e você quer ver cada detalhe do tal triunfo. Nada disso me importava nessas 20:00 do dia, pois estava louco pela estreia de Imaginaerum às 00:00.
 O problema que até as 00:00, essa sessão de filmes só tinha coisa chatas, como filmes de desenhos que tentam passar lições de vidas da forma mais miguxa possível ou animações das antigas. Mas se eu não quisesse perder um segundo do meu filme, terei que aturar essas chatices. Essas chatices penetravam em meus olhos em paisagem inversa, até chegar ao meu cérebro que processava as imagens, indicando a interpretação correta da visão, e o que fazer com ela. E então uma sono como solução foi dominando os meus sentidos, e lá se foi os meus atuais momentos serem extinguidos pelo meu dormir.

 Quando acordei já era 23:51, e os momentos que eu perdi entre este período tinham passados com a impressão de minutos. O relógio que tinha se deslocado de lugar me fez voltar a atenção a TV que deveria estar a minha frente, mas havia algo muito abusado ali. O abusado era que eu não estava mais no mesmo lugar, sentando no mesmo sofá vendo a mesma televisão. Era um lugar diferente, com um piso liso que se mantinha visível pela casa toda, pois era um lugar muito pequeno e com poucos cômodos. Eu estava sentado em um sofá branco imaculado vendo uma televisão preta como a escuridão. O canal 54 estava ligado ali também, e a mesma sessão de filmes passava. Com isso tudo ficou muito bem para mim, pouco me importando na suposta viagem dimensional que eu fiz. Se bem que não era outra dimensão aquele lugar, pois meu amigo normal Henrique tinha acabado de sair da estreitíssima cozinha que ficava ao lado, me lançando um olhar de desalentada ressaca. Virou as costas para mim vulgarizando por completo a minha estadia naquela casa, até eu ter lhe dado um pontapé nas costas e falar:
 - Sai da frente, quero ver o filme.
 - Pra que ver essa merda? Eu vou dormir, ganho muito mais em fazer isso. – disse o desalentado.
 - AH, VAI COMEÇAR!
 Deu 00:00 em ponto e o último filme começou a passar pela TV de excêntrica negritude. O filme dos Power Rangers começou a passar, com a ranger rosa protagonizando no filme. Acontecera o que eu mais temia naquele diferente dia. A TV tinha me enganado, e me prendeu todo esse tempo para eu ver Power Rangers com Amy Jo Johnson protagonizando geral. Numa decepção controlada, eu disse:
- Pra que ver essa merda? Eu vou dormir, ganhou muito mais.
 Mas havia um problema muito grande nisso. Eu não sabia onde ficava o quarto daqui.

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